A graça barata, uma grande omissão

Publicado por Eduardo Kormives em Janeiro 26, 2018 Blog | Pastorais | Tags:, , , , , , | Sem comentários

Deivid Horácio Virtuoso
Pastor do MC2 Criciúma

Em um de meus devocionais estava lendo a carta de Paulo aos filipenses, emocionado e saudosista de um playlist de outrora, quando fui atingido em cheio pelo capítulo 2, verso 12. Ali, Paulo encoraja aos cristãos trabalharem para completar a salvação deles.

Portanto, meus queridos amigos, vocês que me obedeceram sempre quando eu estava aí, devem me obedecer muito mais agora que estou ausente. Continuem trabalhando com respeito e temor a Deus para completar a salvação de vocês.

Como assim “trabalhar para completar a salvação”? E o que aconteceu com a Graça? O conceito de Graça já é amplamente difundido no contexto cristão, Nós a entendemos como o favor imerecido de Deus ao ser humano, a mão sustentadora de Deus que salva o ser humano, o amor de Deus que salva as pessoas e as conserva unidas com ele.

Aos efésios, Paulo escreve: “ Pois pela graça de Deus vocês são salvos por meio da fé. Isso não vem de vocês, mas é um presente dado por Deus.” É relaxante entender e viver a Graça Divina, mas não podemos deixar de compreendê-la integralmente. E devemos ficar atentos em como o entendimento que temos da Graça afeta nosso comportamento.

Dallas Willard, filósofo cristão americano, lapidou uma frase em seu livro A grande Omissão que me fez abrir os olhos para o esforço pessoal.

O oposto de Graça é mérito, não esforço.

Li essa frase pela primeira vez num retiro de pastores, e até hoje essas palavras continuam me empurrando ao esforço pessoal. O fato de a salvação não ser conquistada pelo que nós fizemos ou faremos, não significa que não devemos fazer nada.

Paulo também diz aos filipenses que Deus começou uma obra na nossa vida e que irá completá-la no dia de Cristo Jesus. Ou seja, o trabalho já começou, mas ainda não está pronto. Nosso coração é como um grande canteiro de obras.

Lembro-me também da grande libertação do povo israelita das mãos do faraó no Egito. Após sacrificar o cordeiro e atravessar o Mar Vermelho, eles precisaram caminhar, e foi uma longa caminhada. Eles não sentaram na areia e disseram: “Estamos salvos”. Deus os guiou e eles caminharam em direção a terra prometida.

Tudo isso foi uma sombra das realidades espirituais que viemos hoje. Jesus foi sacrificado, ressuscitado e nos entregou o Espírito Santo. E agora? Vamos sentar na areia e justificar nossa indolência com a Graça? De jeito nenhum.

Dietrich Bonhoeffer, pastor e teólogo da Igreja Luterana da Alemanha, levantou a voz contra Hitler na década de 1940, foi preso e executado na prisão, mas se esforçou pela Graça que lhe foi concedida por Deus.

Bonhoeffer chamaria de graça barata o que Dallas Wilard chama de a grande omissão: aceitar o Cristo sem a cruz, aceitar o Salvador sem o Senhor. Precisamos nos movimentar, precisamos nos esforçar, há a nossa parte por fazer.

“Vão”, diz o Senhor Jesus em Mateus 28:19. Precisamos caminhar, aliás, como diz Paulo, precisamos correr para conquistar o prêmio.

Uma de minhas bandas favoritas, Acesso, tem uma música inspirada em filipenses 3.

Por onde eu for, eu vou buscar / alcançar meu alvo.

Vocês podem conferir aqui. Ouvir essa música faz todo sentido depois de ler este texto. Que Deus Abençoe!

Jornalista (fluente), músico (entende mas toca pouco), pastor, pai e marido em tempo integral.

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