Entre guitarras e Dostoiévski, Reforme surpreende no disco de estreia

Publicado por Jadson Fernandes Luz em setembro 5, 2017 Blog | Cultura | Tags:, , , , , , | Sem comentários

Com apenas 20 mil habitantes, a pequena Rolante (RS), distante 90 quilômetros de Porto Alegre, é a Capital Nacional da Cuca. Mas a cidade produz muitas outras coisas boas, como prova a surpreendente banda Reforme, que toca no TamoJunto 2017 neste sábado (9/9), no Teatro Municipal de Nova Veneza. O show começa às 20h e tem entrada gratuita. 

A banda acaba de lançar o primeiro EP, Muito além do que se vê, com cinco faixas, disponível nas plataformas digitais (Spotify, Deezer, iTunes, GooglePlay) e no Youtube. Pelo que pude ouvir, a Reforme chega com muita coisa pra dizer e uma resposta na ponta da língua para quem confunde o cristianismo com religiosidade.

Enquanto o Scalene se limita a uma crítica severa do mercado da fé em Distopia, do disco Magnetite

Homens de terno, podres por dentro
E a bíblia na mão, bíblia na mão
Pregam o ódio, intolerância
A cada sermão, cada sermão

Usam do medo, ingenuidades
Roubam de quem pouco já tem
Falam de entrega, de sacrifícios
Ônus não tem, só o que lhes convém

… a Reforme olha para os mesmos homens de má-fé sem perder a esperança, com o perdão do trocadilho, na faixa Vento, e prefere enxergar a possibilidade de mudança pelo poder transformador da Boa Notícia.

O vento vem pra transformar vida
E reformar o velho em novo
Sopra o vento onde faltou o alento
Vem destruir o mal que fere a esperança
Sopra o vento sobre aquele que se perdeu
E já não sabe mais voltar pra casa

Apesar da juventude, a Reforme lapida letras com mesmo cuidado que trabalha riffs e timbres. Uma grata surpresa do disco é O Vazio do homem, construída sobre uma citação famosa do escritor russo do século 19 Fiodor Dostoiévski, um dos grandes romancistas da história. O refrão poderoso diz:

O enseio por se sentir completo
termina ao entender o vazio do homem
é do tamanho de Deus.

Biografia de gente grande

O som que influencia a Reforme também respinga nas ideias de solos, drives vocais e pegadas firmes da bateria. Entre as inspirações estão Thrice, Ascend The Hill e Fatherson. E é neste ambiente que o grupo, que toca junto desde a infância, deixa explícita a sua proposta: “Procuramos fazer música com sinceridade, cantando as coisas que vivemos e acreditamos”, resume a biografia do Facebook.

Com certeza, Reforme entrou pra lista das minhas bandas favoritas de 2017. Apesar de novos em todos os quesitos, provam que seriedade não tem idade e surpreendem no profissionalismo ao produzir um disco com identidade própria, inconformada. De reforma.

Para saber mais

Reforme é Kelvyn, guitarra e voz; Estevan, guitarra e voz; Iago, baixo; e Felipe na bateria.

Spotifyhttps://open.spotify.com/artist/148iwlAcwdG9s80XLIwMez

Facebookhttps://www.facebook.com/reformeoficial/

Instagramhttps://www.instagram.com/reformeoficial/

Algo a acrescentar?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *