Dias de fúria

Publicado por Eduardo Kormives em setembro 21, 2015 Blog | Pastorais | Tags:, , , , | Um comentário


 
Sara Kormives
pastora-fundadora do MC2 e psicóloga

Falar sobre a ira humana é algo muito controverso, tão complexo que chega a confundir com suas diversas linhas de pensamento. Em vez de criar mais confusão, pretendo oferecer uma reflexão que nos leve a uma compreensão mais aberta sobre o tema.

Na Bíblia, lemos várias passagens que revelam a ira de Deus. Se buscarmos sinônimos para esse sentimos, encontraremos termos como ódio, raiva e indignação. Parece estranho, mas a Bíblia não nos priva de conhecer essas manifestações na pessoa de Deus, Jesus ou mesmo do Espírito Santo.

Lemos, por exemplo, o episódio em que Jesus entra no pátio do templo de Jerusalém e encontra pessoas vendendo bois, ovelhas e pombas, além de cambistas trocando dinheiro de peregrinos num contexto em que a adoração a Deus havia se tornado um grande negócio. Jesus não pensou duas vezes: fez um chicote de cordas e expulsou todos os comerciantes e seus animais dali.

A Bíblia o retrata igualmente indignado ao afirmar aos fariseus (religiosos da época) que eles não passavam de “sepulcros caiados” – respeitáveis na aparência, podres por dentro. O apóstolo Paulo, por sua vez, nos orienta a “irar e não pecar, não deixar de resolver a situação por muito tempo”.

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Apenas provar que se está certo não traz resultado positivo na maioria das vezes

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Podemos pensar que essa ira que gera indignação e inconformidade produz em nós uma empatia em relação as pessoas injustiçadas ou uma reação a situações degradantes que envolvam o ser humano, o que pode vir a promover alguma mudança. No mínimo, não estamos insensíveis e a ira evidencia que estamos vivos.

Por outro lado, existe uma ira que surge da nossa justiça própria e vem carregada com os nossos “achismos”. Ela está diretamente ligada ao nosso egoísmo e desejo de controlar as situações a nosso bel-prazer. Essa ira produz toda sorte de males. A relação humana vai para o ralo.

Isso não quer dizer que, às vezes, não tenhamos razão. Só que a interação humana, para ser saudável, requer que a gente “abra mão” em vários momentos. A minha e a sua queixa podem ter fundamento, mas apenas provar que se está certo não traz resultado positivo na maioria das vezes.

Essa necessidade latente faz com que o Espírito Santo atue sem descanso nas nossas vidas. Mas a vida cristã não depende totalmente da ação de Deus, porque, de posse do livre-arbítrio, precisamos decidir que queremos cooperar com Ele. A pergunta é: o que devemos fazer?

Primeiro, crer que Deus é poderoso para nos perdoar e transformar cada dia à imagem de seu filho Jesus. Além disso, em ação conjunta com o Espírito Santo, buscar a reconciliação com o próximo o mais depressa possível, evitando uma espiral sem fim de mágoas, ressentimentos e doenças.

Ser humano é muito complicado. Para fazermos um gol, acertamos muitas e muitas vezes na trave antes.

1 Comentário

  • Daniel Silveira em out 28, 2015 3:42 pm

    Muito bom!

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