Honra ao Mérito

Publicado por Eduardo Kormives em agosto 4, 2015 Blog | Pastorais | Tags:, , , , | Um comentário

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Sara Kormives
pastora-fundadora do MC2 e psicóloga

Como você descreveria um pai perfeito? Provavelmente como alguém presente, gentil, que fala baixo, não briga, não grita, totalmente compreensivo, amigo, sempre disposto a atender e brincar com filho. Cansaço, preocupação, nem pensar. Emoções, só as positivas. Os estereótipos que criamos talvez sejam uma negação da frustração que sentimos pela nossa fragilidade, o fato que não somos tão bons, tão belos, tanta coisa.

No entanto, o pai com quem eu pude conviver era um pouco diferente disso. O que lembro dele? Busco na memória e imagens muito boas produzem uma sensação de bem-estar. Quanta saudade daquele homem baixo, briguento, explosivo, com o rosto avermelhado ora pela empolgação da história, ora pela raiva pungente, mas ao mesmo tempo tão doce, gentil, amoroso e preocupado. Como não me apaixonar por esse ser humano?

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Como querer que ele se enquadrasse numa expectativa inventada não sei por quem

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Se fosse compará-lo ao estereótipo de pai do primeiro parágrafo (puxa!), ele ficaria muito aquém. Mas como querer que ele seguisse um modelo, que se enquadrasse numa expectativa inventada não sei por quem e nem por quê. A vida seria mais simples se pudéssemos olhar para as pessoas sem um padrão pré-estabelecido, se pudéssemos vê-las como são e descobrir a beleza que existe na singularidade de cada um. Procurar enxergar o que cada um está oferecendo para o outro e valorizar, mesmo que não seja o que esperamos.

Voltando ao meu pai, posso dizer que foi alguém que me ensinou a viver na simplicidade, a amar e servir a Deus com naturalidade, dedicação e compromisso. Alguém que com o seu jeito de ser, permitiu que eu pudesse ser tão humana quanto ele.

Desta viagem ao passado fica a sensação de saber que hoje não tenho mais aquele homem com quem eu podia contar em todas as situações, que orava sempre por mim. Se pudesse, lhe daria uma Honra ao Mérito, não porque ele foi perfeito, mas porque foi pai em toda a dimensão que essa função requer.

julius2

1 Comentário

  • Ellen em ago 25, 2015 7:03 pm

    Um baixinho esquentado de coração mole. 🙂

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