De novo e de novo e de novo

Publicado por Eduardo Kormives em julho 15, 2015 Blog | Pastorais | Tags:, , , , , | Sem comentários

argila

Sara Kormives
pastora-fundadora do MC2 e psicóloga

É interessante como o ser humano procura estabelecer e manter a aparência de que tudo está bem em sua vida. Mas mostrar que tudo vai bem requer muita energia, porque quando damos os nossos “deslizes”, procuramos racionalizar tanto a situação quanto o comportamento resultante, justificando as atitudes que não gostaríamos que fossem presenciadas por outras pessoas. Haja criatividade!

Ao aceitarmos Jesus, entregarmos nossa vida a Ele e recebermos o Espírito Santo, pensamos que nossos problemas estão todos resolvidos. Rapidamente, porém, descobrimos que desejamos fazer o que é certo, mas algo em nós nos leva a um comportamento reprovável em relação à mensagem que recebemos constantemente por meio da Palavra de Deus e do Espírito Santo.

Como solucionar tal paradoxo? Nos dizemos novas criaturas, mas ficamos estarrecidos conosco mesmo em muitos momentos. O que fazer quanto a isso?

Bem, uma das maneiras mais comuns de lidar com esse paradoxo é negarmos a realidade. Muitos se tornam hipócritas e tentam mostrar uma coisa que não são. Era o que faziam, por exemplo, os fariseus, constantemente confrontados por Jesus, que chegou ao ponto de chamá-los de “sepulcros caiados”. Traduzindo: pessoas bonitos por fora, mas cheias de podridão no seu interior.

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A solução não é querer mostrar o que não se é

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Há quem busque a piedade das pessoas, dizendo-se fraquinho, buscando o socorro no olhar alheio a fim de manter tudo na mesmice. Tem gente que opta por tentar barganhar com Deus, como se Ele não soubesse exatamente quem nós somos. Este grupo costuma usar frases do tipo: “Deus, farei ou darei isso em compensação pelos meus pecados”.

O fato é que, por meio da obra de Jesus, somos libertos do domínio do pecado e da morte, mas continuamos neste corpo mortal e pecador. Há um conflito imenso dentro de nós. Buscamos agradar a Deus com nosso espírito, mas o desejo pelo pecado nos atormenta diariamente. Paulo chega a perguntar: “Quem me livrará deste corpo que me leva para a morte?”, para então responder que em Jesus somos mais do que vencedores.

A grande questão é: Como lidar com esse conflito no dia a dia? Em nenhum momento fomos iludidos de que seria um processo fácil, mas algumas atitudes são essenciais. A primeira é reconhecer a nossa miséria, entender que somos libertos do poder do pecado, mas continuamos pecadores.

A solução não é querer mostrar o que não se é, mas reconhecer totalmente quem somos. A certeza de que dependemos completamente de Deus nos aproxima dEle. Tão importante quanto é nos colocarmos nas mãos dEle e permitirmos que Deus nos modele e nos transforme em vasos que honrem e glorifiquem o Seu nome.

O profeta Jeremias usou a metáfora do barro nas mãos do oleiro para comunicar ao reino de Judá o que Deus queria fazer: transformar aquela nação no seu povo, um povo que agisse segundo a Sua vontade. Deus desejava que esse povo fosse totalmente submisso, mas, ao mesmo tempo, sendo Ele quem é, sabia exatamente da fragilidade de Judá. É por isso que o Eterno, ao longo da história, sempre se revelou aberto a socorrer, levantar, curar, restaurar e renovar as pessoas daquele povo que o buscassem e se entregassem em Suas mãos para Ele agir.

Para capturar todo o significado da metáfora, alguns detalhes são importantes. O barro está muito misturado com todo tipo de sujeira quando o oleiro vai buscá-lo. Antes de seu uso, ele passa por um processo de purificação. Depois, o oleiro usa água para tornar mais maleável o barro escolhido como matéria-prima. Só então o oleiro pode colocá-lo sobre o torno cerâmico para fazer a peça que imaginou segundo o uso que pretende dar.

A obra da salvação nas nossas vidas não é diferente desse processo. Deus nos escolhe, separa, limpa e modela para fazer de nós vasos de honra. E se endurecermos ou quebrarmos, o processo começa de novo e de novo e de novo.

Graças a Deus.

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